sábado, 10 de março de 2012

Brasileiros ajudam na recuperação do Japão

No próximo domingo, quando os japoneses lembram um ano da tragédia, um grupo de cerca de 50 brasileiros vai participar de uma missa em frente à Embaixada do Brasil em Tóquio e, de lá, segue para Sendai, capital da província de Miyagi.

"Vamos acender uma tocha e cerca de 100 lanternas de bambu que representam a força que os brasileiros querem levar para os sobreviventes e também nossas lágrimas pelos que se foram", explicou à BBC Brasil um dos líderes do movimento, o empresário Norberto Shinji Mogi, 48.

Em Sendai, os brasileiros também plantarão três mudas de ipê roxo e um de pinheiro do Paraná. "Vamos também levar um pouco da música brasileira", completou.

Desde o terremoto, Mogi já foi oito vezes à região litorânea das províncias de Miyagi e Iwate para ajudar como voluntário. Ele tem uma empresa da área de construção civil na capital japonesa e levou funcionários e equipamentos para ajudar na limpeza das cidades.

"Os japoneses já não precisam mais de ajuda material, mas precisam muito da ajuda emocional", disse Mogi. Por isto, ele não pensa em parar de fazer visitas periódicas à região.

"Fiz algumas amizades com moradores locais e eles perceberam que estamos realmente preocupados e que estamos fazendo as ações de coração", contou o brasileiro.

Mogi diz acreditar que o tsunami mudou não só a vida de quem perdeu tudo, mas de toda a população japonesa e também dos estrangeiros que vivem no país.

Voluntários brasileiros no Japão (arquivo pessoal)

Para muitos voluntários, japoneses precisam mais de apoio emocional que material

A cantora Sabrina Hellsh, 31, concorda. Ela já foi à região atingida seis vezes para fazer pequenas apresentações de música japonesa e brasileira e, em fevereiro deste ano, começou uma jornada por várias províncias japonesas para aprender mais sobre a música local.

"Tomei essa decisão depois do tsunami. Vi que as vítimas estão fortes e mantém a cabeça erguida e, no fundo, somos nós voluntários que acabamos aprendendo com eles uma verdadeira lição de vida", opinou.

Na maioria das moradias provisórias vivem idosos. "A gente fica com dó, mas um pescador explicou o motivo: os jovens foram para outras cidades para trabalhar; as crianças foram para onde tinha escola e o restante ficou para ajudar na reconstrução das vilas para receber o restante da família que se mudou de volta o mais breve possível", relembrou a cantora brasileira. "Achei isso muito prático e mostra como os japoneses são organizados."

A esteticista Priscila Yoshimoto, 30, também teve uma experiência como voluntária recentemente. Foi fazer massagem e também as unhas das japonesas. "Foram dois dias intensos, mas em nenhum momento me senti cansada. Estava feliz por poder ajudar de alguma forma aquelas pessoas", contou.

A brasileira, de Anápolis (GO), chegou ao Japão alguns dias antes do terremoto, mas diz que em nenhum momento pensou em voltar para o Brasil.

"Com essa tragédia aprendi que não podemos reclamar nunca da vida que temos e, a cada dia, os japoneses nos dão uma lição de organização e muita força de vontade para reconstruir tudo o que perderam", disse Priscila.

Um ano

Desde que o Japão foi atingido pelo pior terremoto seguido de tsunami da história, em 11 de março do ano passado, os brasileiros que vivem no país têm participado ativamente na recuperação do país.

O terremoto de 9.0 de magnitude atingiu a região nordeste do Japão em março do ano passado. Cerca de 20 minutos depois, ondas de até 40 metros de altura varreram tudo o que tinha pela frente.

Segundo dados da polícia, cerca de 15 mil pessoas morreram e outras 3 mil continuam desaparecidas.

A tragédia se agravou depois que as ondas gigantes atingiram a usina nuclear de Fukushima, causando um acidente nuclear. Mais de 80 mil família foram obrigadas a deixar suas casas num raio de 30 quilômetros de distância da planta.

No domingo, diversas cerimônias em todo o país devem lembrar as vítimas da tragédia que mais matou pessoas desde a Segunda Guerra Mundial.


Fonte: BBC

quarta-feira, 7 de março de 2012

De volta ao país, brasileiros sofrem 'síndrome do regresso'

A crise dos países desenvolvidos está levando muitos brasileiros a fazerem as malas de volta para casa. Segundo o Itamaraty, 20% dos que moravam nos EUA em quarto dos que moravam no Japão já retornaram desde o começo da recessão, em 2008.

"Foi um choque voltar ao interior", conta gerente de salão de beleza
Nostalgia e decepção com o país levam à depressão do regresso

O relatório de 2011 sobre a população expatriada sai no fim deste mês, e a taxa de retorno deve ser ainda maior. Há tanta gente comprando a passagem de volta e tanta dificuldade de reintegração ao mercado de trabalho brasileiro que o Itamaraty lançou o "Guia de Retorno ao Brasil", distribuído nas embaixadas.

O caminho de volta pode gerar depressão. É a "síndrome do regresso", termo cunhado pelo neuropsiquiatra Décio Nakagawa para designar certo "jet lag espiritual" que aflige ex-imigrantes.

Morto em 2011, Nakagawa estudava a frustração de brasileiros que voltavam ao país após uma temporada de trabalho em fábricas japonesas.

"A adaptação em um país diferente acontece em seis meses, já a readaptação ao país de origem demora dois anos", diz a psicóloga Kyoko Nakagawa, viúva do psiquiatra e coordenadora do projeto Kaeru, de reintegração de crianças que voltam do Japão.

BONDE ANDANDO

Se ao sair do país o imigrante se cerca de cuidados para amenizar o choque cultural, no retorno a ilusão é de que basta descer do avião para se sentir em casa.

"Retornar é uma nova imigração", diz a psicoterapeuta Sylvia Dantas, coordenadora do projeto de Orientação Intercultural da Unifesp. "A sensação é de que perdemos o bonde, estamos por fora do que deveríamos conhecer como a palma da mão."

Quando voltou do segundo intercâmbio no Canadá, o gerente de marketing Rafael Marques, 33, descobriu que havia ficado para tio: "Todos os meus amigos estavam casados, com outras prioridades. Demorei meses para me situar". Resultado: deprimiu. Recuperado, hoje ele trabalha com intercâmbios.

Para amenizar o estranhamento, a analista de marketing Natasha Pinassi, 34, se refugiou nos amigos feitos durante sua vivência de um ano na Austrália: "Em pouco tempo no Brasil percebi que deveria ter feito minha vida na Austrália. Já não via graça nas pessoas e nos lugares que frequentava antes. Só conversava com brasileiros que conheci no exterior".

A família pouco ajudava: "Não pude falar o que sentia. Eu me culpava por estar sofrendo enquanto meus pais estavam felizes com minha volta", diz Natasha, que tomou antidepressivos para tentar sair desse estado.

A síndrome não é exclusividade dos brasileiros. "Em minhas pesquisas com imigrantes, percebi um sentimento geral de que o país deixado não é o mesmo na volta", diz Caroline Freitas, professora de antropologia da Faculdade Santa Marcelina. "Um português me disse não querer voltar por saber que Portugal já não estaria lá."

ABANDONO

Quem sofre de síndrome do regresso é frequentemente considerado esnobe. Parentes e amigos têm pouca paciência com quem volta reclamando: "O retorno tem uma http://www.blogger.com/img/blank.gifsignificação para aquele que ficou. Junto com saudade, há um sentimento inconsciente de abandono, ressentimento e de inveja daquele que se aventurou", explica Dantas.

Para Nakagawa, amigos costumam simplificar o processo de reintegração: "Há uma pressão para que a pessoa 'se divirta'. Na melhor das intenções, os amigos não respeitam o tempo do viajante".

Se a família também não ajudar, o ideal é procurar um psicólogo com formação intercultural. Em São Paulo, o núcleo intercultural da Unifesp dá orientação gratuita.

fonte: http://folha.com/no1055239

Arraigo con orden de expulsión

Los juzgados Contencioso-Administrativo de Oviedo 1 y 2, han reconocido el derecho al permiso de residencia por arraigo a dos inmigrantes en contra del criterio de la Oficina Única de Extranjería de Oviedo.
El organismo estatal denegó ambos porque estos ciudadanos tenían pendiente de ejecución una resolución de expulsión firme. Un criterio que, según la letrada de los dos extranjeros, Ana Taboada Coma, no se aplica en otras comunidades autónomas. Taboada defendió en los dos casos que el Reglamento de Extranjería permite revocar las expulsiones firmes, si el ciudadano extranjero cumple con los requisitos del arraigo, tales como contrato de trabajo, tres años de permanencia continuada en España y carecer de antecedentes penales.
El Juzgado de lo Contencioso-Administrativo número 1 va un poco más allá. Estimó el recurso a pesar de que cuando se solicitó el permiso de residencia denegado por Extranjería, todavía no había entrado en vigor el nuevo reglamento. «La existencia de una orden de expulsión no ejecutada -como es el caso- no determina necesaria y automáticamente que resulte inviable que le pueda ser concedida una autorización de residencia posterior», señala el magistrado, y que «se considera (que) sería un tanto absurdo y contrario al principio de tutela judicial efectiva el denegar ahora una solicitud de autorización de residencia cuando consta que el interesado reúne todos los requisitos de fondo sobre ello».
Taboada señaló en un comunicado que «espera» que estas sentencias sirvan para que la oficina de extranjería varíe su criterio actual y no ponga «mas trabas e impedimentos» a «personas cuyo único ‘delito’ es no tener un papel que diga que les autoriza a vivir y trabajar en este país».

Fonte:http://www.elcomercio.es/v/20120307/oviedo/fallos-reconocen-arraigo-sendos-20120307.html